Pesquisa apresentada na 17ª Semana de Ciência e Tecnologia da Unesc investiga alimentação, uso de matérias-primas e mudanças ambientais a partir de registros arqueológicos
em 29 de outubro de 2026
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O que os ossos, dentes e outros vestígios de animais podem revelar sobre a vida de populações que habitaram o território catarinense há milhares de anos? A zooarqueologia busca responder a questões como essa por meio da identificação, quantificação e interpretação de materiais encontrados em sítios arqueológicos. O tema foi abordado nesta quinta-feira (29/10), durante a 17ª Semana de Ciência e Tecnologia da Unesc, em atividade promovida pela Semana Acadêmica de Ciências Biológicas (Sacib), Museu de Zoologia e pelo 11° Workshop de Arqueologia.
A programação reuniu os biólogos e arqueólogos Diego Dias Pavei e Suliano Ferrasso, doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) da Unesc e pesquisadores do Laboratório de Arqueologia (Lapis). A atividade, que foi promovida no Laboratório de Arqueologia Pedro Ignácio Schmitz (Lapis), apresentou possibilidades de investigação sobre alimentação, manejo de animais, produção de objetos e práticas culturais de populações pré-históricas.
Uma das pesquisas desenvolvidas por Diego Pavei investiga um sítio arqueológico em Bombinhas, com registros de aproximadamente oito mil anos. O estudo busca compreender como os animais eram utilizados pelas populações da época, desde a obtenção dos recursos até o transporte e o consumo. A análise também considera a presença de vestígios faunísticos em contextos funerários e o aproveitamento de ossos e dentes na produção de instrumentos e adornos.
“Queremos descobrir se os animais eram transportados inteiros, se eram consumidos em outros locais ou se apenas determinadas partes eram levadas para os espaços de convivência. A investigação amplia o conhecimento sobre as relações entre os grupos humanos e os animais, incluindo aspectos da subsistência e das práticas cotidianas”, explica Pavei.
Conhecimento do passado contribui para a conservação ambiental
Além de reconstruir hábitos alimentares e culturais, a zooarqueologia oferece informações sobre as transformações da fauna ao longo do tempo. Os registros arqueológicos permitem identificar espécies presentes em períodos anteriores e compreender mudanças provocadas pela ação humana nos ecossistemas.
Os estudos também podem auxiliar na compreensão de processos de defaunação, caracterizados pela redução ou desaparecimento de populações animais em determinadas regiões. A abordagem aproxima a arqueologia da ecologia histórica, campo dedicado à investigação das mudanças nos ecossistemas e das relações estabelecidas entre seres humanos e ambiente ao longo do tempo.
Para Suliano Ferrasso, a pesquisa também contribui para ampliar a visibilidade de capítulos pouco conhecidos da história brasileira. A produção científica sobre as populações antigas ajuda a compreender a diversidade cultural na formação do país e amplia as possibilidades de divulgação do conhecimento em espaços educativos.
“A nossa pesquisa trabalha com uma área especializada da arqueologia denominada zooarqueologia, relacionada ao estudo de animais encontrados em contextos arqueológicos e ligados, de alguma forma, à subsistência dos povos antigos. De maneira mais genérica, podemos dizer que estudamos a alimentação na pré-história, o que esses povos consumiam, como obtinham os recursos e de que forma utilizavam os animais”, ressalta.
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